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Coronavírus: o grande desafio para todos

A nova pandemia da doença de coronavírus, COVID-19 é desafiadora. Ela levanta difíceis questões nos sistemas de saúde em todo o mundo. Pacientes são admitidos nas UTIs e rapidamente tornam-se graves, necessitam de intubação, muitos com uma atípica evolução, com hipoxemia de difícil resolução... A população atingida é em sua maioria idosa, mas jovens também estão incluídos. Podemos imaginar o estresse agudo que esses pacientes estão passando, o medo de sofrer e de morrer. É com muito pesar que estamos assistindo os pacientes morrerem com uma breve e distante despedida.

A equipe com seus equipamentos de proteção individual (EPI), máscara, óculos, protetores de rosto inteiro, rosto marcado no final da jornada. Marcado pelos EPIs, marcado pelo quadro assustador, marcado por se sentirem muitas vezes impotentes, apesar da grande capacidade técnica de cada um. Marcado pelo caos. Pela angústia e tristeza, sem saber aonde vamos parar. Com o receio de serem vetores e irem para casa e contaminarem seus familiares. Marcados pelo medo, mas todos à frente, com o grande propósito de CUIDAR.

E as famílias? Sem poder estar ao lado dos seus entes queridos, com receio de também terem se contaminado, tempo de incertezas, de perdas inesperadas...
O estresse desencadeado pelo isolamento forçado também pode agravar transtornos psiquiátricos e doenças como depressão e síndrome do pânico.
Com certeza muitos sobreviventes e seus familiares irão sofrer do Estresse Pós-Traumático, com sintomas de ansiedade e depressão. Além disso, não sabemos ainda como será a capacidade funcional e qualidade de vida dos sobreviventes.

O apoio nessa hora é fundamental. É a doença que gera imenso medo em todos. O estresse agudo e a ansiedade podem desencadear doenças como depressão, síndrome do pânico e até risco de suicídio. Todos precisam de um acolhimento, de serem ouvidos por profissionais especializados, mesmo que seja através de um telefonema ou videoconferência. Importante pensar que todos estão envolvidos em profunda mudança e necessitam de calma. É hora de prover notícias consistentes, claras e completas para os familiares, fortalecer a equipe e prover o apoio necessário que pode ser realizado em pequenos grupos.

Para os que estão em casa, algumas medidas podem atenuar o estresse como estabelecer uma rotina, assistir bons filmes, ler e realizar trabalhos manuais, meditação e estar conectado através de mensagens ou videoconferências.

Durante essa pandemia, é igualmente importante entender os valores e esclarecer os objetivos de cuidado, discutir o status do paciente e a ordem para não ressuscitar para que a RCP não aconteça de forma inadequada, não benéfica e ou indesejada, sob qualquer circunstância, principalmente para os idosos e portadores de doenças crônicas pré-existentes, colocando o profissional de saúde em risco maior e aumentando a angústia dos familiares. Portanto, o COVID-19 aumenta a importância de implementar medidas que dê conforto a todos, com uma escuta ativa, acolher os que estão enfrentando essa dura batalha. É hora de transmitir coragem, de nos fortalecer, colaborar, de ter empatia, manter hábitos saudáveis e de buscar força no que é sagrado para cada um, na espiritualidade, no que nos importa, no que nos acalma, para deixar a tempestade passar e sairmos mais fortalecido.

Renata Rego Lins Fumis
Pesquisadora da UTI do Hospital Sírio-Libanês
Coordenadora do Departamento de Psicologia da SOPATI 2020-2021

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