REVISTA
PAULISTA DE TERAPIA INTENSIVA
ALGORITMO
DE CONDUTA NOS DISTÚRBIOS DE COAGULAÇÃO
DO PACIENTE GRAVE
ALGORITMO
DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA SEPSE GRAVE
ALGORITMO
DE TRATAMENTO CLÍNICO-CIRÚRGICO DAS
NECROSES PANCREÁTICAS
ALGORITMO
DE APLICAÇÃO DE VENTILAÇÃO
MECÂNICA NA DPOC
ALGORITMO
DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA SCA
ALGORITMO
DE IDENTIFICAÇÃO DA CAUSA E DE TRATAMENTO
DA HIPONATREMIA NO PACIENTE GRAVE
ALGUNS
ASPECTOS ÉTICO-LEGAIS DA PRÁTICA DO
INTENSIVISMO
TERAPÊUTICA
FARMACOLÓGICA PARA VARIZES ESOFAGIANAS SANGRANTES
Órgão
de divulgação científica oficial da Sociedade Paulista
de Terapia Intensiva
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Editorial
Editor Executivo: Valter Nilton Felix
| Editores
associados: |
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Conselho
Científico: José Otávio Costa
Auler Jr., Carlos Roberto R. Carvalho, Renato G.
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Nelson Akamine, Antonio Capone Neto, Ivan Cecconello,
David E. Uip, Sergio Barsanti Wey, Antonio Claudio
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Poli Figueiredo, Paulo César D. Antoniazzi,
Flavio Luis Moreira, Werther Brunow de Carvalho,
Cid Marcos Nascimento David, José Luiz de
Amorim Ratton, Mariza da Fonte Andrade Lima, André
Guanaes, Luiz Alexandre Alegretti Borges, Álvaro
Réa Neto, José Maria da Costa Orlando,
Marcelo Moock, Francisca Luzia S. Macieira de Araújo
Expediente - Correspondência: SOPATI - R.
Itapeva, 490 Cj. 18 CEP: 01332-000 São Paulo
- SP.
ATUALIZAÇÃO
PLANEJAMENTO DA PESQUISA CLÍNICA
José Gerson Gerstler
INTRODUÇÃO E DEFINIÇÕES
O
ensaio clínico é um modelo de pesquisa
científica onde o pesquisador especifica
o grupo que vai ser estudado, seleciona o tratamento
ou as intervenções a que este grupo
será submetido e observa o resultados. Este
modelo descrito se assemelha muito ao modelo experimental
que se compõe de um grupo de tratamento,
também denominado de grupo experimental ou
de estudo, sendo comparado a um outro grupo que
será submetido às mesmas condições
que o primeiro exceto nos tópicos alvos da
pesquisa; este segundo grupo é chamado de
grupo controle. A pesquisa clínica utiliza-se
de modelo amostral, que significa retirar uma amostra
de uma população alvo do estudo, observar
e testar variáveis nesta amostra e interferir
o mesmo comportamento para a população
origem.
A principal etapa na realização de
uma pesquisa clínica é o seu planejamento.
Fazendo uma analogia, o que aconteceria se um avião
decolasse sem traçar seu plano de vôo
ou sem considerar os fatores climáticos externos
à aeronave? Provavelmente não conseguiria
completar o trajeto ou chegaria a um ponto muito
distante do pretendido.
Na pesquisa clínica a falta de planejamento
pode levar a impossibilidade de conclusão
do estudo ou a resultados muito distantes da realidade.
Este desvio da realidade é chamado tecnicamente
de vício ou tendenciosidade e pode ocorrer
a qualquer momento no decorrer do estudo. O planejamento
deverá traçar objetivos e evitar o
vício através de métodos que
serão vistos abaixo.
Quando ocorre um vício no planejamento da
pesquisa é imposível detectá-lo
através da análise estatística;
esta tem a função de detectar a probabilidade
de ter ocorrido o acaso nas diferenças que
ocorrem durante a observação.
Este planejamento é descrito em um documento
chamado protocolo. Este documento é escrito
em linguagem clara e detalhada e será o guia
da realização da pesquisa incluindo
o objetivo, a metodologia e a ética do estudo.
Neste documento deverão constar todas as
informações e explicações
para a realização do estudo assim
como as regras de inclusão, exclusão,
interrupção da pesquisa e padrões
clínicos e laboratoriais aceitos para o estudo
em questão.
O protocolo de pesquisa deverá ser utilizado
somente para leitura, e as anotações
e o registro dos dados obtidos da observação
clínica deverão ser feitos de forma
dirigida e específica para o estudo em andamento
em uma ficha chamada de ficha de observação
clínica; esta ficha será utilizada
para o levantamento dos dados.
Portanto, é imperativo que o protocolo seja
escrito antes de iniciar a pesquisa, devendo conter
todas as regras e os passos de forma detalhada.
As observações clínicas e os
dados laboratoriais serão anotados em uma
ficha separada específica para este fim.
FASES
DO PLANEJAMENTO DA PESQUISA CLÍNICA
I Definir claramente o objetivo
II Planejar a coleta dos dados (amostragem)
III Escolher o esquema para evitar o vício
(desenho metodológico)
IV Calcular o tempo e custo da pesquisa
V Planejar alocação de recursos, equipamentos
e serviços de terceiros
Definir claramente o objetivo do estudo
Devemos ter em mente que é impossível
atingir a verdade universal e explicar todos os
fenômenos envolvidos em um único estudo.
Um estudo tem o objetivo de contribuir de forma
honesta e cientificamente válida, com o mínimo
de desvio possível da realidade, para responder
às indagações do conhecimento
humano.
Devemos ter consciência de que, ao iniciarmos
em estudo, estaremos ligados ao nosso conhecimento
prévio. Hoje falar a um estudante de medicina
que o centro das emoções está
no coração é piada, mas já
foi verdade incontestável por séculos.
Portanto, devemos ter em mente que o conhecimento
avança em degraus e estamos fortemente ligados
ao conhecimento acumulado e aos recursos tecnológicos
atuais.
Um estudo clínico deverá ter um único
objetivo e as questões formuladas deverão
estar diretamente relacionadas com este objetivo.
Planejar a coleta dos dados (amostragem)
A extrapolação dos resultados obtidos
em ensaios clínicos depende das características
dos pacientes do estudo, sendo esta situação,
por si, uma restrição à abrangência
da conclusão do estudo.
As razões para que pacientes sejam estudados
ou não dependam dos critérios estabelecidos
previamente pelo pesquisador são descritas
no ítem inclusão e exclusão
do protocolo. Estes critérios visam a manter
a homogeneidade dos critérios que serão
controlados durante o estudo, tanto no grupo estudo
quanto no grupo controle.
Quanto maior o rigor nestes critérios menor
será o vício, porém o preço
que se paga é a menor capacidade de generalização
dos resultados obtidos. Devemos ter em mente que
este método de seleção dos
pacientes é uma forma de viciar a amostra;
por isso é inaceitável trabalho com
metodologia amostral tecer conclusões generalizadas
a todos os centros de atendimento médico.
Outra causa de vício inerente à metodologia
é quando o paciente, por sentir uma atenção
especial, pode alterar seu comportamento, sua opinião
sobre eficácia ou até mesmo o curso
das doenças de cunho psicossomático
(efeito Hawthorne). Formas para minimizar os desvios
serão apresentadas no próximo tópico.
Na maioria dos estudos clínicos, o número
de pacientes estudados
é pequeno e a amostragem pode ser delineada
conforme algumas características descritas
abaixo:
Estudos com relato de casos - são estudos
com descrição de doenças pouco
comuns de forma detalhada. Estes estudos são
de vital importância para delinear novas linhas
de pesquisa e de auxílio para a prática
clínica, na solução de problemas
difíceis e incomuns.
Estudos de caso-controle - estes estudos, de maior
complexidade, tendem a definir causa-efeito através
do controle de variáveis que influenciam
a manifestação estudada. Os casos
são retirados, pelo investigador, da população
que freqüenta o serviço médico
e não se tem a definição exata
da população geral e o grupo controle
é escolhido pelo investigador com semelhanças
ao grupo estudo.
Estudo de incidência - em geral se inicia
com a definição da população
que será estudada e se registra a ocorrência
de casos novos. Não ocorre seleção
ativa por parte do investigador e o grupo controle
são as pessoas, desta mesma população,
que no período de estudo não apresentarem
ocorrência do evento estudado.
Os modelos acima são os mais utilizados nos
serviços médicos para pesquisa clínica.
Existem muitos outros modelos, principalmente no
âmbito da pesquisa epidemiológica,
que não é o escopo da discussão
presente.
Definido o modelo amostral, o profissional da área
de estatística deverá ser convocado
para definir a coleta dos dados propriamente dita,
para planejar a análise que será realizada
e dimensionar o tamanho da amostra suficiente para
se detectar alguma diferença, se ela existir.
Escolher o esquema para evitar o vício (desenho
metodológico)
Inicialmente faremos uma breve consideração
sobre os tipos mais comuns de vícios inerentes
à própria metodologia da pesquisa
clínica, no modelo experimental. São
três os principais:
Vícios de amostragem - ocorrem quando grupos
diferentes quanto a fatores que influenciam a análise
clínica são comparados, como, por
exemplo, avaliar a influência do tabagismo
nos adolescentes quando, no grupo estudo, 80% são
masculinos e no grupo controle, 80% são do
sexo feminino.
Vícios de confusão - confusão
que se pode fazer entre causa e conseqüência
de um fator; por exemplo, detectou-se aumento de
infarto do miocárdio com o uso de um medicamento;
no entanto notou-se que todos que utilizaram este
medicamento desenvolveram hipertensão, que
sabidamente aumenta o risco de infarto. Evitando
este vício, a conclusão é que
a droga leva a hipertensão e não diretamente
ao infarto.
Vícios de aferição - quando
se utilizam métodos de mensuração
distintos entre os pacientes ou grupos de pacientes
com métodos laboratoriais diferentes, equipamentos
diferentes etc..
Os métodos utilizados para minimizar os vícios
são vários, sendo o mais utilizado
a aleatorização (ou randomização).
Outros métodos, como o pareamento, a estratificação
e o ajustamento serão explicados a seguir.
Para minimizar os vícios de amostragem recomendam-se
os métodos:
Aleatorização - é a única
forma de igualar os fatores que influenciam o aspecto
estudado e visa a dar chances iguais de um paciente
pertencer ao grupo estudo ou ao controle. Este método
geralmente é planejado junto com o profissional
de estatística que orienta este processo,
pois se trata de um método matemático.
Pareamento - à medida que entra um paciente
no grupo estudo, um ou mais pacientes com as mesmas
características que o paciente em estudo
são procurados para pertencerem ao grupo
controle.
Estratificação - é um dos métodos
mais utilizados e o erro que se comete é
o tamanho da amostra que precisa ser bem maior.
Neste método, faz-se a coleta de dados e,
ao final, subdivide-se a amostra em grupos com características
semelhantes.
Ajustamento - é um processo matemático
que ajusta um grande número de fatores controlados
ou não. Está em moda nos estudos de
causa-efeito, podendo-se dar pesos às variáveis
estudadas ou utilizar uma fórmula matemática
preditiva.
Para diminuir o risco de aferição
o método de cegamento é o mais indicado.
O estudo poderá ser simples-cego, quando
o paciente não sabe a que grupo pertence,
ou duplo cego, quando o paciente e o médico
desconhecem a que grupo o paciente pertence.
Calcular o tempo e custo da pesquisa.
Muitas vezes a procura de respostas para questões
leva a iniciar pesquisas que não terminam.
Com a experiência, em cada serviço
médico, o tempo poderá ser aproximadamente
estimado, mas uma regra simples é fazer um
levantamento retrospectivo no arquivo do hospital
de quantos casos seriam incluídos por mês
caso o protocolo tivesse começado um ano
antes. Em regra, em um planejamento bem feito, tem-se
uma perda de 10 a 20% dos casos devido a fatores
não previsíveis. Então fazemos
a seguinte conta para estimar o tempo necessário:
(No CASOS PREVISTOS NO ESTUDO + 20% / No CASOS ATENDIDOS
POR MÊS NO SERVIÇO) = TEMPO ESTIMADO
DO ESTUDO (MESES)
Se o estudo depender de financiamento, os custos
com material de consumo, exames complementares,
contratação ou remuneração
de pessoal deverão ser previstos.
Em todas as fases, os fatores de custo monetário
e tempo de deslocamento da equipe do atendimento
assistencial deverão ser cruzados com o benefício
da pesquisa clínica voltada para os próprios
pacientes.
Planejar alocação de equipamentos
e serviços de terceiros
Um estudo clínico muitas vezes não
se concretiza por falta de envolvimento com a instituição,
devido à falta de disponibilização
de equipamentos, devido à mudança
de análises clínicas que vinham sendo
utilizadas, devido à falta de tempo disponível
da equipe paramédica, devido ao não
envolvimento da equipe médica, devido à
falta de disponibilidade do setor de estatística
etc.. Estes fatores deverão ser considerados,
negociados e compromissados antes da realização
do estudo.
BIBLIOGRAFIA
MORAES, IN. Elaboração da pesquisa
científica. Rio de Janeiro - Ed. de Publicações
Médicas, 1979.
FLECHTER, RH; FLECHTER, SW, WAGNER, EH. Epidemiologia
Clínica Bases científicas da conduta
médica. Porto Alegre - Artes Médicas,
2o ed., 1989.
GORE, SM. Assessing Clinical Trials - First Steps.
Br. Med. J 282: 1605-7, 1981.
GORE, SM. Assessing Clinical Trials between observer
variations. Br. Med. J 283: 40-3, 1981.
GORE, SM. Assessing Clinical Trials - double-blind
trials. Br. J Med 283:122-4, 1981.
GORE, SM Assessing Clinical Trials . Br. Med 283:426-8,
1981.
SPILKER, B. Guide to Clinical Studies and Developing
protocols. New York - Rawn Press Books, Ltd, 1984.
TRUJILLO FERRARI, A, Metodologia da Pesquisa Científica
- São Paulo - McGraw - Hill do Brasil, 1982.
BASES ÉTICAS DA PESQUISA CLÍNICA
Valter Nilton Felix
O progresso da Medicina, com a descoberta e aplicação
de novos métodos terapêuticos, inevitavelmente
implica também novos riscos para os enfermos,
quer por efeitos colaterais ou falta de conhecimento
completo das conseqüências que drogas
ou procedimentos técnicos avançados
possam ter.
Para controle de tais riscos, a experimentação
é fundamental. Ocorre, no entanto, que os
experimentos em animais nem sempre bastam, pois
sua correspondência no homem não é
completa e pode ser questionada.
Daí a necessidade da condução
de experimentos em seres humanos, o que, é
claro, levanta questões sobre ética.
Isso foi ressaltado no Código de Nuremberg,
em 1947, que estabeleceu que toda experiência
desse tipo deveria evitar qualquer dano ou sofrimento
físico e mental.
Na década de 60, esses conceitos foram insistentemente
debatidos destacando-se o II Congresso Internacional
sobre a Moral Médica (1) e a Conferência
Ciba (2), realizados, respectivamente, na França
e na Inglaterra, em 1966.
O documento mais significativo sobre o assunto ficou
conhecido como "Declaração de
Helsinque" (1964), resumido a partir da publicação
de MORAES (1979) (3):
A pesquisa clínica deve basear-se em experiências
laboratoriais em animais ou em outro fato científico
comprovado;
deve ser conduzida por pessoas previamente qualificadas
cientificamente;
a importância do objetivo deve considerar
o risco da metodologia;
a personalidade do indivíduo submetido ao
estudo deve ser considerada dentre os cuidados especiais
a serem tomados na condução da pesquisa;
todos os detalhes, incluindo o risco, da pesquisa
clínica devem ser minunciosamente expostos
ao indivíduo pelo médico.
sem prévio consentimento do paciente, a pesquisa
clínica não pode ser realizada;
esse consentimento deverá ser, de preferência,
obtido por escrito. Isto, no entanto, não
livra o médico da responsabilidade sobre
tudo o que for realizado com o paciente;
o indivíduo pode, a qualquer momento da pesquisa,
cancelar a permissão, devendo ser seu desejo
respeitado.
também constitui motivo de interrupção
da pesquisa o julgamento, por parte do médico,
de que está colocando o paciente em risco
maior que o projetado inicialmente.
Tudo isso já deve ser considerado no planejamento
da pesquisa e mentalizado durante toda a sua execução.
As Comissões Científicas e as Comissões
de Ética das instituições devem
manter constante vigilância sobre os protocolos,
no sentido de orientar os jovens pesquisadores sobre
o assunto.
No momento da publicação, novos princípios
éticos devem ser obedecidos (4):
- a publicação do mesmo material em
revistas diferentes de informação
médica constitui afronta à lei de
direitos autorais e à ética da publicação
científica; naturalmente, a publicação
do mesmo artigo em números diferentes da
mesma revista ou em revistas sob a responsabilidade
do mesmo editor, receptor do trabalho, nada tem
a ver com o mencionado, representando falha editorial;
-
a publicação paralela do material
em dois veículos, simultaneamente, com o
consentimento dos seus respectivos editores, por
exemplo, quando se tratar de revistas de diferentes
línguas, é permitida;
- a fraude e o plágio obviamente são
criminosos;
- não se pode copiar ou reproduzir um trabalho
original, em parte ou por inteiro, sem autorização
do proprietário dos direitos autorais, devidamente
citada no texto;
- da mesma forma, as separatas de uma publicação
são propriedade do detentor dos direitos
autorais.
A pesquisa clínica consiste em constante
ensinamento a colaboradores em treinamento. Cabe
ao investigador também responsabilidade da
formação desses pesquisadores do futuro,
pregando normas morais e éticas, valorizando
sua própria produção científica
e preparando novas gerações.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
II Congres Internationale de Morale Médicale.
Presse Méd. 74:1787, 1966
Ciba Foundation Symposium: Ethics in medical progress,
with special reference to transplantion. Londres,
1966.
MORAES IN, ed. Elaboração da pesquisa
científica. EPUME, Rio de Janeiro, 1979
STEWART WW & FEDER N The integrity of the scientific
literature. Nature 325:207, 1987.
TÁTICA NA CONFECÇÃO
DE UM ESTUDO CLÍNICO DE CASO-CONTROLE
José Gerson Gerstler
PLANEJAR A PESQUISA
Objetivo
claro, único é formular as questões
a serem respondidas
Justificativa da pesquisa
Definir o coordenador da pesquisa (administrador)
Definir a equipe envolvida
Delimitar o tempo necessário para término
do estudo
Metodologia
casuística
caracterizar os grupos estudo e controle
fazer o desenho metodológico
tamanho da amostra e tratamento estatístico
Recursos necessários
pessoal
equipamentos, material médico e laboratorial
- confirmar a disponibilidade imediata e durante
o prazo de estudo.
planejamento orçamentário de custos;
se necessário levantar recursos antes do
início do estudo (patrocinador).
Cronograma e planejamento do setor como um todo,
para não conflitar com outras pesquisas em
andamento.
MONTAGEM
DO PROTOCOLO
A lista abaixo é um guia para confecção
de protocolos; porém, como comentado anteriormente,
não existe um padrão de protocolo;
este deverá conter todas as informações
para realização do experimento e orientar
quanto às regras assumidas e à solução
de problemas que venham a ocorrer durante o andamento
da pesquisa.
Todos os dados descritos no planejamento da pesquisa
deverão constar no protocolo de pesquisa.
1) Resumo introdutório do assunto em questão
Objetivo do estudo e questões formuladas
que deverão ter respostas ao final do estudo.
3) Desenho metodológico incluindo a "receita"
de como o estudo será conduzido, as formas
de dividir os grupos (aleatorização
etc.), os critérios de inclusão e
exclusão e outros aspectos que precisem ser
abordados para a realização da pesquisa.
4) Se utilizar drogas, especificar a posologia,
via de administração, forma de armazenamento
da droga, forma de dispensação da
droga (disponibilidade)
5) Critérios para retirar um paciente no
decorrer do estudo. Antecipar as prováveis
complicações e sua terapêutica.
Como os dados serão analisados (estatística)
7) Nome e telefone dos pesquisadores para contato,
caso haja alguma dúvida da equipe ou do próprio
paciente.
FICHA DE OBSERVAÇÃO CLÍNICA
1) Esta ficha deverá ser feita de forma que
possa ser facilmente utilizada pelo pesquisador
para anotar os dados coletados.
2) Deverá conter exclusivamente os dados
que serão utilizados na pesquisa.
Não deverá substituir o prontuário
médico.
4) A apresentação deverá ser
em tópicos com espaço para fazer as
anotações das observações,
expressas com letra legível e de forma objetiva.
5) Manter as fichas em arquivo apropriado para serem
utilizadas ao final do estudo para a análise
e por mais três anos após o término
da pesquisa para possibilitar o levantamento dos
dados individuais, toda vez que o paciente necessitar.
CONSENTIMENTO
DO PACIENTE
É um documento assinado pelo paciente e/ou
responsáveis pelo mesmo concordando com a
inclusão no estudo clínico, após
informação, por parte do pesquisador,
dos riscos e benefícios e de que os dados
pessoais do paciente, assim como, eventualmente,
fotos serão utilizados em apresentações
em congressos e publicação científica.
REUNIÕES
PROGRAMADAS PARA AVALIAR O ANDAMENTO DA PESQUISA
ESQUEMATIZAR
A REDAÇÃO DO ARTIGO
A PUBLICAÇÃO DA PESQUISA
Valter Nilton Felix
Toda
pesquisa pode ser comprometida se não houver
adequados estilo e linguagem no material pronto
para publicação.
Façam-se inicialmente considerações
gerais:
-
o título deve ser claro e conciso; o sub-título
pode completá-lo. Devem ser evitados números
arábicos e abreviações. Os
nomes dos autores devem vir logo abaixo, por completo,
ou iniciado pelo sobrenome, por extenso, seguido
pela(s) inicial(is) do(s) nome(s);
- o rodapé da primeira página deve
conter o nome do Serviço a que os autores
estão filiados ou em que foi realizado o
trabalho, entidades que o financiaram, agradecimentos,
qualificação científica dos
autores e endereço do autor;
- o resumo é fundamental, pois muitas vezes
é reproduzido em resenhas bibliográficas:
deve conter objetivo, principais itens do método,
resultados e conclusões, evitando-se dados
estatísticos, referências bibliográficas
e nomes comerciais. Ao final, devem-se referir como
palavras-chave aquelas que, ao mesmo tempo, resumam
os pontos principais do artigo e que sejam constantes
do "Medical Subjects" do "Index Medicus",
para fácil futura localização
do trabalho;
- a hierarquia das seções também
é muito importante para a clareza; INTRODUÇÃO,
MÉTODO, RESULTADOS, DISCUSSÃO, CONCLUSÕES
E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS devem
ser destacados. Grifos excessivos comprometem a
fluidez do texto - são preferíveis
os escalonamentos numéricos dentro de cada
seção: 1.1, 1.1.1; 1.1.2 etc.;
- as ilustrações (figuras) devem ser
numeradas e referidas no texto, e suas legendas,
concisas, mas claras o suficiente para que o leitor
não precise se reportar ao texto para compreender
a ilustração; todas as abreviaturas,
escalas e os símbolos devem ser explicados,
assim como a natureza do que se vê: esquema,
microfotografia, fotografia endoscópica etc.;
- o mesmo vale para as tabelas, que devem completar,
e não repetir, o texto; além de tudo
o que foi dito para as figuras, devem conter o nível
de erro estatístico. As notas explicativas
podem estar contidas no rodapé, para que
a legenda fique mais concisa. Podem ser complementadas
no apêndice, se muito complexas, comprometendo
a clareza da exposição dos dados -
nesse caso, é preferível que contenham
mesmo apenas os dados mais importantes;
- observa-se, na literatura contemporânea,
que outras designações, como "quadro"
e "tábua" têm sido preteridas
em favor de "tabela". Quanto à
gramática:
- as sentenças e os parágrafos excessivamente
longos dificultam a compreensão do texto;
o mesmo ocorre com as construções
inversas: o sujeito deve preceder o verdo, que por
sua vez, é seguido pelos complementos;
- os pronomes pessoais devem ser evitados ao máximo,
assim como o verbo na primeira pessoa;
- a voz ativa é preferível, em relação
à passiva;
- o modo verbal indicativo é o mais adequado;
na introdução, o tempo verbal predominante
deve ser o pretérito perfeito; no método,
o pretérito imperfeito; nos resultados, o
pretérito perfeito; na discussão,
o presente e o pretérito perfeito e, nas
conclusões, o presente;
- as abreviaturas não devem ser confundidas
com os símbolos, que, ao contrário
daquelas, não são seguidos por ponto;
os símbolos não têm plural;
Quanto ao estilo:
- o uso de dois pontos ( : ) deve, sempre que possível,
ser evitado, já que fragmenta o texto, assim
como o ponto de exclamação e o de
interrogação; os hífens podem
ser muito úteis.
- palavras adaptadas de outras línguas, mas
consagradas pelo uso, devem vir entre aspas, ou
então, a dispensa das aspas deve ser esclarecida
no texto, quando tal palavra for usada muitas vezes;
- as metáforas podem ser elegantes, mas não
devem ser abusivas, comprometedoras da compreensão,
assim como as elipses;
- as fórmulas e equações, sempre
que possível, devem ser expressas de forma
linear, sem comprometer o alinhamento geral do trabalho;
- os números, até dez, devem ser expressos
por extenso, abrindo-se exceção para
os que são seguidos de unidades de medida;
- os números que iniciam sentença
são grafados por extenso;
- a excessiva repetição do mesmo termo
deve ser evitada;
- termos e construções de duplo sentido
podem comprometer o entendimento do texto;
- os jargões são aceitáveis;
os pleonasmos, condenáveis;
- é fundamental que se respeite a nomenclatura
estabelecida de estruturas, drogas, hormônios,
elementos químicos etc.; não há
inovação sobre o bem definido;
- os organismos referidos no texto devem ter destaque
tipográfico;
- as figuras e as tabelas devem ser designadas com
números arábicos, assim como a hierarquia
do texto.
BIBLIOGRAFIA
RECOMENDADA
MORAES, IN, Ed. Elaboração da pesquisa
científica. Epume, Rio de Janeiro, 1979.
GONÇALVES EL, Ed. Pesquisa médica.
EPU-CNPq, S. Paulo, 1983.
IVERSON C e col., Ed. Manual of Style. Williams
& Wilkins, Baltimore, 1989
o
leitor não precise se reportar ao texto para
compreender a ilustração; todas as
abreviaturas, escalas e os símbolos devem
ser explicados, assim como a natureza do que se
vê: esquema, microfotografia, fotografia endoscópica
etc.;
- o mesmo vale para as tabelas, que devem completar,
e não repetir, o texto; além de tudo
o que foi dito para as figuras, devem conter o nível
de erro estatístico. As notas explicativas
podem estar contidas no rodapé, para que
a legenda fique mais concisa. Podem ser complementadas
no apêndice, se muito complexas, comprometendo
a clareza da exposição dos dados -
nesse caso, é preferível que contenham
mesmo apenas os dados mais importantes;
- observa-se, na literatura contemporânea,
que outras designações, como "quadro"
e "tábua" têm sido preteridas
em favor de "tabela". Quanto à
gramática:
- as sentenças e os parágrafos excessivamente
longos dificultam a compreensão do texto;
o mesmo ocorre com as construções
inversas: o sujeito deve preceder o verdo, que por
sua vez, é seguido pelos complementos;
- os pronomes pessoais devem ser evitados ao máximo,
assim como o verbo na primeira pessoa;
- a voz ativa é preferível, em relação
à passiva;
- o modo verbal indicativo é o mais adequado;
na introdução, o tempo verbal predominante
deve ser o pretérito perfeito; no método,
o pretérito imperfeito; nos resultados, o
pretérito perfeito; na discussão,
o presente e o pretérito perfeito e, nas
conclusões, o presente;
- as abreviaturas não devem ser confundidas
com os símbolos, que, ao contrário
daquelas, não são seguidos por ponto;
os símbolos não têm plural;
Quanto ao estilo:
- o uso de dois pontos ( : ) deve, sempre que possível,
ser evitado, já que fragmenta o texto, assim
como o ponto de exclamação e o de
interrogação; os hífens podem
ser muito úteis.
- palavras adaptadas de outras línguas, mas
consagradas pelo uso, devem vir entre aspas, ou
então, a dispensa das aspas deve ser esclarecida
no texto, quando tal palavra for usada muitas vezes;
- as metáforas podem ser elegantes, mas não
devem ser abusivas, comprometedoras da compreensão,
assim como as elipses;
- as fórmulas e equações, sempre
que possível, devem ser expressas de forma
linear, sem comprometer o alinhamento geral do trabalho;
- os números, até dez, devem ser expressos
por extenso, abrindo-se exceção para
os que são seguidos de unidades de medida;
- os números que iniciam sentença
são grafados por extenso;
- a excessiva repetição do mesmo termo
deve ser evitada;
- termos e construções de duplo sentido
podem comprometer o entendimento do texto;
- os jargões são aceitáveis;
os pleonasmos, condenáveis;
- é fundamental que se respeite a nomenclatura
estabelecida de estruturas, drogas, hormônios,
elementos químicos etc.; não há
inovação sobre o bem definido;
- os organismos referidos no texto devem ter destaque
tipográfico;
- as figuras e as tabelas devem ser designadas com
números arábicos, assim como a hierarquia
do texto.
BIBLIOGRAFIA
RECOMENDADA
MORAES, IN, Ed. Elaboração da pesquisa
científica. Epume, Rio de Janeiro, 1979.
GONÇALVES EL, Ed. Pesquisa médica.
EPU-CNPq, S. Paulo, 1983.
IVERSON C e col., Ed. Manual of Style. Williams
& Wilkins, Baltimore, 1989.
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