Toda pesquisa pode ser comprometida se não houver adequados estilo e linguagem no material pronto para publicação.
Façam-se inicialmente considerações gerais:
- o título deve ser claro e conciso; o sub-título pode completá-lo. Devem ser evitados números arábicos e abreviações. Os nomes dos autores devem vir logo abaixo, por completo, ou iniciado pelo sobrenome, por extenso, seguido pela(s) inicial(is) do(s) nome(s);
- o rodapé da primeira página deve conter o nome do Serviço a que os autores estão filiados ou em que foi realizado o trabalho, entidades que o financiaram, agradecimentos, qualificação científica dos autores e endereço do autor;
- o resumo é fundamental, pois muitas vezes é reproduzido em resenhas bibliográficas: deve conter objetivo, principais itens do método, resultados e conclusões, evitando-se dados estatísticos, referências bibliográficas e nomes comerciais. Ao final, devem-se referir como palavras-chave aquelas que, ao mesmo tempo, resumam os pontos principais do artigo e que sejam constantes do "Medical Subjects" do "Index Medicus", para fácil futura localização do trabalho;
- a hierarquia das seções também é muito importante para a clareza; INTRODUÇÃO, MÉTODO, RESULTADOS, DISCUSSÃO, CONCLUSÕES E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS devem ser destacados. Grifos excessivos comprometem a fluidez do texto - são preferíveis os escalonamentos numéricos dentro de cada seção: 1.1, 1.1.1; 1.1.2 etc.;
- as ilustrações (figuras) devem ser numeradas e referidas no texto, e suas legendas, concisas, mas claras o suficiente para que o leitor não precise se reportar ao texto para compreender a ilustração; todas as abreviaturas, escalas e os símbolos devem ser explicados, assim como a natureza do que se vê: esquema, microfotografia, fotografia endoscópica etc.;
- o mesmo vale para as tabelas, que devem completar, e não repetir, o texto; além de tudo o que foi dito para as figuras, devem conter o nível de erro estatístico. As notas explicativas podem estar contidas no rodapé, para que a legenda fique mais concisa. Podem ser complementadas no apêndice, se muito complexas, comprometendo a clareza da exposição dos dados - nesse caso, é preferível que contenham mesmo apenas os dados mais importantes;
- observa-se, na literatura contemporânea, que outras designações, como "quadro" e "tábua" têm sido preteridas em favor de "tabela". Quanto à gramática:
- as sentenças e os parágrafos excessivamente longos dificultam a compreensão do texto; o mesmo ocorre com as construções inversas: o sujeito deve preceder o verdo, que por sua vez, é seguido pelos complementos;
- os pronomes pessoais devem ser evitados ao máximo, assim como o verbo na primeira pessoa;
- a voz ativa é preferível, em relação à passiva;
- o modo verbal indicativo é o mais adequado; na introdução, o tempo verbal predominante deve ser o pretérito perfeito; no método, o pretérito imperfeito; nos resultados, o pretérito perfeito; na discussão, o presente e o pretérito perfeito e, nas conclusões, o presente;
- as abreviaturas não devem ser confundidas com os símbolos, que, ao contrário daquelas, não são seguidos por ponto; os símbolos não têm plural;
Quanto ao estilo:
- o uso de dois pontos ( : ) deve, sempre que possível, ser evitado, já que fragmenta o texto, assim como o ponto de exclamação e o de interrogação; os hífens podem ser muito úteis.
- palavras adaptadas de outras línguas, mas consagradas pelo uso, devem vir entre aspas, ou então, a dispensa das aspas deve ser esclarecida no texto, quando tal palavra for usada muitas vezes;
- as metáforas podem ser elegantes, mas não devem ser abusivas, comprometedoras da compreensão, assim como as elipses;
- as fórmulas e equações, sempre que possível, devem ser expressas de forma linear, sem comprometer o alinhamento geral do trabalho;
- os números, até dez, devem ser expressos por extenso, abrindo-se exceção para os que são seguidos de unidades de medida;
- os números que iniciam sentença são grafados por extenso;
- a excessiva repetição do mesmo termo deve ser evitada;
- termos e construções de duplo sentido podem comprometer o entendimento do texto;
- os jargões são aceitáveis; os pleonasmos, condenáveis;
- é fundamental que se respeite a nomenclatura estabelecida de estruturas, drogas, hormônios, elementos químicos etc.; não há inovação sobre o bem definido;
- os organismos referidos no texto devem ter destaque tipográfico;
- as figuras e as tabelas devem ser designadas com números arábicos, assim como a hierarquia do texto.